Domingo, 28 de Agosto de 2011

Pátria Minha

  
Pátria Minha

 

 


(Vinicius de Moraes)

 

 

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te, no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
Liberta que serás também
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...”

 

Vinicius de Moraes  - continua - com um  pseudo poema que eu fiz para ele, agora sei que nada sei...

 

DESCULPA-ME POETA!
APÓS LER-TE, AGORA SEI QUE NADA SEI!
(by jan)
 


 

Conheci Vinícius,
em Le Havre, na França.
lá, ele cônsul da minha Pátria,
eu oficial da Marinha,
e o melhor da minha lembrança.
Aqui, poeta do “Pátria minha”.
escrito, longe do seu solo, ainda no exílio,
por quem chorava, ao lado do filho.
Poema do chamado poetinha,
(pelo povo, como pode?)
Codinome que se contradiz
e  nem por carinho se explica,
para quem a ele se aplica.
Isso é uma grande falta de respeito,
com quem para todos abriu seu peito,
toda sua alma e todo o seu coração.                                       
Por quem, por seu país, sua mágoa chorou,
além de lhe doar o melhor da sua emoção
que de longe, sedenta em seus versos, brotou
e toda a saudade que o machucou.
Dele e de sua amada, no isolamento,
esse Homem cantou todo o seu tormento,
distante de seu país, no vazio do longo exílio,
longe da pátria, meu e seu grande amor,
completamente sozinho, naquele frio,
Sem poder em sua “Ipanema”,
sentir seu sol e de seus amigos. o calor,
em sua praia querida, em frente a rua,
(que hoje leva o seu nome)
onde, no bar que frequentava, anos depois,
aquela “garota” compôs
(que mulher foi mais cantada?)
todos, agora, sabemos, sua musa preferida...
Vendo-te e ouvindo-te, eu me rendo!
Agora, sei que não sou poeta, te lendo,
nem sequer pseudo esteta, compreendo.
Desculpa-me, grande poeta, conterrâneo,
minha ousadia, poeta meu, meu predileto!
Dos brasileiros, o que mais respeito,
Prometo-te, querido, nunca mais escrevo!
Minhas pseudo poesias, deixá-las-ei no leito.
escondidas, adormecidas, envergonhado
ou enterrá-las-ei em meus devaneios...
Amigos jamais repitam de novo,
cada um tem seu estilo!
Poeta não tem estilo, tem inspiração,
para poder voar nas asas da quimera
com todo sentimento e muita emoção
como a de Vínicius em sua paixão pela Nação.
Ah, como eu quisera! 

 

 

http://blogs.blogs.sapo.pt/157050.html#ponto2
publicado por Alzira Macedo às 21:20

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?
comentarios:
De eternosorrir a 29 de Agosto de 2011 às 17:30
Tanto se podia dizer mas a sua grandiosidade cala fundo dentro de cada um...gosto!
abraços
De Alzira Macedo a 30 de Agosto de 2011 às 12:55
Eternosorriso....
Concordo plenamente contigo....
Li e reli estes maravilhosos poemas que me enxeram a alma e o peito de emoção...
Fiquei sem palavras, tudo tinham dito que fiquei triste em não saber o que mais acrescentar...
È sem duvida um momento literario que nos enche as medidas em cultura, em sabedoria, em amor,em amizade, e tanta saudade nos deixa, assim como uma grande recordação... Estou feliz por poder partilhar esta maravilha em meu blog....
Bjs
De Janil Corrêa a 20 de Outubro de 2012 às 19:34
Fico imensamente grato por teres me dado a honra de publicar em teu conceituado BLOG um dos maiores poetas brasileiro, somente conhecido por suas composições musicais.
Ao ler este poema lindíssimo, como patriota contumaz, fiquei tão emocionado que fiz o pseudo poema logo abaixo, me retratando com o ídolo por me sentir tão indigno e pretencioso ao querer sequer imaginar, um dia, que o que escrevo seja poesia. O sentimento de culpa foi tão imenso que prometi ao saudoso Vinicios, nunca mais escrever... Mas meu ego foi maior e não pude cumprir a pronessa. PERDOA-ME AMIGA QUERIDA!
Demorei a agradecer-te pois não sabia como te agradecer e te confessar minha fraqueza...
Continuo a escrever mas, agora, sem a empáfia que me dominava antes... jan

Comentar poste

Visitantes


jeux de casino internet

Sou assim...

Nas asas da imaginação, sentimo-nos que nem borboletas. Voláteis, frágeis e livres Image Host

Julho 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
27
28
30
31

pesquisar

 

posts recentes

Um despejar...

Triste amanhecer

Quando cai a noite...

Mulher vulcão

"Melhor Presente"

Momento de reflexão

Momentos...

Folhas em branco

Coração bate forte

Imagem que não é a minha....

Uma brisa vinda de longe

Disfarçada em poeta...

Apenas palavras soltas, s...

Um desabafo solitario

Amor Maduro

Tu, eu e a noite

Quando a tristeza nos inv...

Esperanças sofridas

Saudades matam

...

Momento de reflexão

< <

Myspace Photo Cube

Apareça o sol! - Recados e Imagens para orkut, facebook, tumblr e hi5

mais comentados

Arquivos

Julho 2014

Abril 2014

Março 2014

Outubro 2013

Setembro 2013

Julho 2013

Março 2013

Novembro 2012

Setembro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

favorito

A perfeição...

As Contradições do Amor

Quem serei eu

Alzira Macedo-dueto-Sonho...

Teu Nome

Homem do Mar

Amanhecer

Somente Tu

Um pouco sobre mim ...