Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

A revolução dos cravos

 

 

 

O calendário marca o dia 25 de Abril de 1974.

Pela madrugada o Movimento das Forças Armadas inicia o derrube do governo de Marcello Caetano. Os tanques ocuparam as principais praças da capital do poder. E nessa manhã, quem saiu de casa a contar com mais um dia de trabalho ficou pelas ruas a festejar?
A história da Revolução dos Cravos, contada com base na imprensa da época por quem nasceu depois.


Mesmo na noite mais triste / em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste / há sempre alguém que diz não

(Manuel Alegre, Trova do vento que passa)

Aparentemente reina a normalidade no País do, "orgulhosamente sós" salazarista. Faltam dois dias para a revolução mas nada parece acontecer em Portugal. Os jornais enchem páginas com a actualidade internacional.
Da Inglaterra chegam notícias de uma tempestade política. O governo trabalhista apresenta um projecto que escandaliza os deputados conservadores. Decide devolver aos sindicados dez milhões de libras relativos aos impostos cobrados sobre as quotizações sindicais.
Na França disputam-se as presidenciais. Os candidatos são: Jean Royer, o ?maire? de Tours, intitulado o ?defensor da ordem moral?; Jacques Chaban-Delmas, candidato gaulista; François Mitterrand, da esquerda e Giscard D?Estaing, da direita. As sondagens mostram que o interesse pelo escrutínio é de 82%.
Em Dortmund, na Alemanha Federal, 17 mil agricultores da Comunidade Económica Europeia, manifestam-se contra as decisões tomadas em Bruxelas pelos ministros da agricultura dos ?Nove? que fixaram o aumento dos preços agrícolas em 8,5% contra os 12% pretendidos pelas empresas agrícolas. Em Israel, o chefe de Estado Ephrahim Katzir convida Yitzhak Rabin, ministro do trabalho, para tentar formar um novo governo de coligação. Os EUA assistiam ao desenrolar do caso Wartergate. No México, o presidente Luis Echeverria oferece refúgio naquele país ao Governo Republicano Espanhol, exilado em Paris na sequência da Guerra Civil de 1936/39.
A actualidade política portuguesa cinge-se aos trabalhos na Assembleia Nacional. Durante a apresentação das contas gerais do Estado de 1972, o deputado e vice-almirante Reboredo e Silva manifesta-se contra o exercício de cargos políticos por oficiais das Forças Armadas. E avança com a ideia de que mesmo os ministérios das pastas militares sejam ocupados por civis.
Um dia depois, a pretexto do incêndio que destruiu parcialmente o edifício da Faculdade de Ciências do Porto são analisadas na Assembleia Nacional as implicações dos chamados ?Movimentos Académicos?. Num discurso fora do comum, o deputado nortenho Ferreira da Silva manifesta uma opinião quase premonitória: ?A falta de cumprimento de muitas das mais elementares normas dos direitos dum cidadão, por parte do Ministério da Educação Nacional, é quanto a mim, uma das causas que estão na base do espírito de revolta de uma parte da população académica.

 

 

A queda do regime

Cobre-te canalha / Na mortalha / Hoje o rei vai nu
Os velhos tiranos / De há mil anos / Morrem como tu
Abre uma trincheira / Companheira / Deita-te no chão
Sempre à tua frente / Viste gente / Doutra condição
Ergue-te ó Sol de Verão / Somos nós os teus cantores /
Da matinal canção / Ouvem-se já os rumores /
Ouvem-se já os clamores / Ouvem-se já os tambores
Livra-te do medo / Que bem cedo / Há-de o Sol queimar
E tu camarada / Põe-te em guarda / Que te vão matar?

(Zeca Afonso; canção: Coro da Primavera)

Madrugada de quinta-feira, 25 de Abril. Portugal dorme. Num posto de comando clandestino, formado no Regimento nº 1 na Pontinha, em Lisboa, há um aparelho de rádio sintonizado na estação da Rádio Renascença.
Á sua volta alguns oficiais das Forças Armadas esperam ansiosos ouvir a senha que confirmará o curso irremediável da revolução planeada. Ela virá sob a forma de uma canção:
Grândola, Vila Morena, Terra da fraternidade, O povo é quem mais ordena, Dentro de ti, ó cidade?, do cantor José Afonso.
Passa meia hora da meia-noite quando a rádio a põe no ar. Por todo o país iniciam-se movimentações militares. Soldados saem às ruas em tanques, jipes e camiões. É necessária a tomada de posição em pontos estratégicos:
Quartéis-generais, pontes, aeroportos, postos de comunicações. Em Lisboa, as colunas militares deslocam-se pelas zonas circundantes à Baixa Pombalina e ao Terreiro do Paço, ocupando o centro da cidade e impedindo a passagem. Furriéis e cabos milicianos mantêm-se de metralhadora em punho e munições no chão.
Na mira dos soldados os edifícios do poder político e policial. O aparato militar nas ruas é grande, mas os soldados aparentam absoluta tranquilidade. Os seus rostos serenos contrastam com a estupefacção de quem de manhã se faz ao emprego para mais um dia de trabalho. Percebendo que se trata de um golpe de Estado muitos populares deixam-se ficar nas ruas perto dos soldados e dos seus carros de combate. 
Ao longo da manhã a situação vai-se clarificando. Através de comunicados lidos no Rádio Clube Português, em Lisboa, a população é informada de que está em curso uma acção de um Movimento das Forças Armadas (MFA) com vista à libertação do País. As mensagens trazem mais gente à rua, apesar dos apelos dos militares para que a população regresse a casa e se mantenha calma.
O MFA teme o derramamento de sangue. E quer a todo o custo evitá-lo. Por isso apela também às forças militarizadas, potencialmente opositoras, que não interfiram no processo. À Polícia de Segurança Pública (PSP), à Guarda Nacional Republicana (GNR) e às forças da Direcção-Geral de Segurança / PIDE-DGS e da Legião Portuguesa, que abusivamente foram recrutadas, lembra-se o seu dever cívico, ouve-se na rádio. Ainda assim uma coluna da PSP tenta "travar" a  revolução, mas é rapidamente neutralizada sem que haja confrontos de maior.  
Entretanto, as operações militares desencadeadas levam Marcello Caetano, Presidente do Conselho de Ministros a procurar refúgio no Quartel-General da GNR no Largo do Carmo, juntamente com outros membros do Governo. O reduto não é, no entanto, seguro. Ao tomar conhecimento desta situação as tropas do MFA, comandadas pelo Capitão José Salgueiro Maia, partem do Terreiro do Paço para o Largo do Carmo cercando o edifício.
A massa de populares avoluma-se na expectativa da rendição de Marcello Caetano. Mas esta tarda. Chegada a hora do almoço, e uma vez que os militares não podem abandonar os seus postos, a população trata de lhes fazer a merenda distribuindo pão com queijo e fiambre, maças, cervejas e tabaco.
O cerco dura há duas horas. De megafone na mão, Salgueiro Maia pede aos sitiados que se rendam. Não obtém resposta. O ataque das Forças Armadas parece iminente. Preocupado com os civis, Salgueiro Maia dirige-se à multidão e pede que esta abandone o largo. Mas ninguém arreda pé. Há lágrimas nos olhos da população. Todos querem ver para crer na queda do regime. O capitão compreende que sem o recurso à força é impossível evacuar o largo.
A necessidade de resolver o impasse agiganta-se. São disparadas duas rajadas de metralhadora sobre o quartel deixando a sua fachada cravejada de balas. É então que dois homens, Feytor Pinto, ex-director dos Serviços de Informação e Nuno Távora, funcionário daquele organismo, se apresentam por iniciativa do primeiro para entrar no quartel e negociar a rendição dos sitiados.
Quando sai do edifício, Feytor Pinto traz a notícia de que Marcello Caetano acede a entregar o comando das Forças Armadas ao General António de Spínola....

 

 

 

     25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

 

"Sophia de Mello Breyner Andresen"

 

 

Paulo de Carvalho :

E depois do Adeus ( A senha para a liberdade)

 

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós

 

 

Desliguem a playliste abaixo para ouvirem os videosclips 

 

 

Desculpem a extenção do poste, mas a historia de Portugal nao pode ser contada em duas palavras....
Foi dada a liberdade de  expressao ao povo Portugues que até lá nada podiam dizer sem serem escutados e reprendidos até mesmo presos....
Hoje pouco mais mudou... O que o povo esperava ficou muito na espectativa, Portugal tem se desenvolvido muito pouco desde entao, ainda temos muito que mudar no nosso sistema para que haja motivação e igualdade perante os nossos paizes vizinhos da Europa....

 




Na minha opiniao, na epoca em que vivemos devia existir novamente o 25 de abril numero 2
Necessitamos de novo vento na nossa politica, novas estratejias para que todos tenham o direito de viverem em igualdade
E para que os salarios sejam justos para as necessidades basicas do ser humano...
Ainda há quem viva muito mal em Portugal infelizmente....


Podem deixar os vossos comentarios por ou contra....

 

Vizitem o meu outro blog tem mais noticias....
www.alzira-macedo.blogs.sapo.pt



http://blogs.blogs.sapo.pt/157050.html#ponto2
sinto-me: arrepiada
musica: Grandola vila morena
publicado por Alzira Macedo às 20:49

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