Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Amarras de amor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Só com amarras de amor, prende-se um lobo do mar...


(by jan)

 

 

 

 

 

Içaste as velas, navegaste no meu corpo

E como se fosses hábil marinheira

Nos levaste para o leito de um rio de carícias.

Afim de garantir que não perderias o rumo,

Usaste teus braços, como leme, direcionando-nos

Até aportarmos na cama, onde nos desnudamos famintos, 

Entregando-nos ao prazer, naquela noite plácida, calma,

Lentamente, num gozo infinito, tantas vezes repetido.

Sem usares springs, cabrestantes, ou retinidas,

Cuidadosamente, amarraste nosso barco, com teu carinho

Em nosso caís de  amor pleno, intenso, desmedido...

                                                                         

Para não retornarmos à realidade, nos beijamos muito,

Despertamos nosso desejo tanto tempo adormecido,

Afastados que estávamos sem razão e sem motivo.

Foi assim que fizemos, daquela noite, a única testemunha

Do nosso amor que, diferente do desejo, jamais adormeceu,

Agora sabemos, ao vê-lo atuar, o quanto é capaz ainda de nos envolver

E, após intensa e demorada tempestade, de nos levar a um caís tranqüilo

De infinito prazer que só sentem aqueles que se amam verdadeiramente,

Como nós, seres intensamente apaixonados, habitantes dos sonhos de deuses,

Eros no Olimpo, ao navegar de volta, para os braços de sua Afrodite,

Nas, agora, tranqüilas águas de um amor definitivo, quiça para sempre...

 

 

 

 

 

 

Homenagem ao poeta e amigo

By Jan

Alzira Macedo

 

 

 

 

 

publicado por Alzira Macedo às 09:40

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De Janil.Correa a 20 de Outubro de 2012 às 21:47
Agradecido e sensibilizado pela honra que me concedeste, ofereço-te,já que falamos de mar, que tanto amamos mais um poema de minha autoria
Sob forte tempestade:
O homem, seu navio e o mar bravio...
(escrito por jan)

Singras presunçoso, águas revoltas,
sem te importares com a tempestade,
que nos açoita e nos preocupa,
como se, dela, medo não tivesses.
De forma insana, potente, mergulhas, corajoso,
em ondas violentas, profundas,
que se arremetem, alavancadas,
contra o passadiço e afogam o tijupá.
Enquanto eu te observo emocionado,
meu sangue corre gélido nas veias.
Assim, segues em frente, displicente
e neste afundar proa e rasgar ventos,
continuas tua luta, contra a procela, indiferente,
a arrancares gemidos de tuas cavernas,
que ecoam em meus ouvidos,
como se fosses quebrar, partir ao meio.
Meu velho e bom navio tu sabes, muito bem,
que não és mais jovem,
Mas, sem te importares com a idade,
insistes em lutar com galhardia, companheiro,
e eu, conhecedor de tua compleição frágil,
compulsoriamente te sigo!
Observando-te, preocupado contigo,
sinto saudade, confesso, neste nosso momento crítico,
da segurança do meu chão amigo.
Para que, com dignidade, desta nos livremos logo,
tentarei, contudo, demonstrar-te que também sou corajoso,
fingirei que nada sei de nada entendo.
Como se nada de anormal acontecesse,
continuas a te arriscar, arfas, gemes,
arrancas de tuas cavernas gritos,
balanças, adernas, sofres, estremeces,
parece mesmo que vais rachar ao meio,
fazes meu sangue correr mais gélido nas veias
e meu coração disparar como se explodir pudesse...
Felizmente para nós, nessa luta de titãs,
continuas a desatar os nós
desse nosso infeliz destino,
meu valente e destemido lobo do mar,
sem te importares, repito:
Que absurdo, com tua longa idade!
Açoitado pelo rabicho desse violento ciclone ,
lutas para sobreviver e nos proteger.
À matroca, desesperado, mas intrépido,
balanças de boreste a bombordo,
como se estivesses sem rumo, perdido no meio desse furacão,
ao sabor de ondas cada vez mais violentas,
como se fosses afundar na maresia.
Enquanto penso que sofres, neste mar furioso,
sob a força deste vento arrasador
que aumenta cada vez mais a altura das ondas,
ao invés, lépido flanas, voas como folha de papel,
solta, balançando na ventania,
varrida por Deus do teu convés.
Contigo aprendi, amigo, nestes anos todos,
em que juntos convivemos,
que quando finges ser jovem, como agora,
na verdade estás em dificuldade
e é por isso que, egoísta, perdoa-me, eu temo por nós!
Sou humano, não sou de ferro,
meu arcabouço, diferente do teu,
é revestido de carne e osso,
não de aço como o teu,
não enverga, não dilata,
apenas sangra, sofre, chora, geme,
treme covardemente, como agora, confesso:
assustado temendo a morte.
Entretanto, tu não, maravilhoso irresponsável,
audaz, continuas desvairado,
arremessando-te contra as ondas,
fazendo-me sentir medo ficar apavorado.
Vendo-te, assim,excessivamente corajoso,
sobre e sob esse mar bravio,
ao perceber a proximidade da morte, estremeço,
sinto meu sangue congelar nas veias,
assusto-me com toda essa tua valentia.
Parece um admirável louco, obstinado,
ao enfrentar a forte ventania
e nesse momento, nem imaginas,
porque sendo um monte de ferro velho,
não raciocinas e, por isso,
não sentes tudo que sinto agora
e o tanto que temo por ti e por nosso destino.
(CONTINUA)
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